quarta-feira, 5 de julho de 2017

Em Natal, pais vão leiloar camisas do Flamengo para bancar tratamento do filho

Em Natal, pais vão leiloar camisas do Flamengo para bancar tratamento do filho

Ainda na barriga da mãe, no quinto mês da gestação, o pequeno Elias foi diagnosticado com mielomeningocele, uma malformação na coluna vertebral que afeta o desenvolvimento da criança. Hoje ele tem dois anos e trava uma luta constante para seguir o tratamento. O pai, Newton Dias, adora futebol e sempre assiste aos jogos do Flamengo acompanhado do filho. No ano passado, quando o Flamengo esteve em Natal para o clássico contra o Fluminense, eles foram recebidos pelo elenco rubro-negro no hotel, com direito a fotos, e ainda ganharam uma camisa autografada de Jorge, hoje no Monaco. Elias também entrou em campo com o lateral-esquerdo e também ficou com a camisa do jogo (assista ao vídeo acima).

Pouco mais de um ano depois, a situação financeira apertou e agora o pai quer leiloar as duas camisas para levantar recursos para custear parte do tratamento do filho. Eles querem ir à Tailândia buscar um tratamento com células-tronco que pode ajudar o garoto a ter uma qualidade de vida melhor, com mais independência. O leilão deve ocorrer em breve na página mantida pela família em uma rede social.

- A necessidade do Elias hoje é bem maior que isso. Então nós resolvemos abdicar dessas camisas que o Jorge doou para fazer um leilão para custear o tratamento de Elias, que eu tenho certeza que é mais importante - falou Newton.

Elias faz fisioterapia três vezes por semana e a bola é um dos instrumentos preferidos dele.

- É incrível o quanto a bola chama a atenção dele. É um pouco triste para a gente quando eu estou em um ambiente em que as crianças estão jogando bola, estão chutando bola e ele quer ir para o chão para participar da brincadeira porque ele gosta de ver. Mas a gente fica com aquele aperto no coração. Eu pego ele brincando e fico movimentando a perna dele em direção à bola, chutando, e aquilo para ele é o máximo. É como se aquilo fosse a realização dele, como se tocasse ele. O futebol é incrível. A energia que o futebol cria no brasileiro. Isso contagia e vai além do campo - conta Newton.

O garoto já passou por nove cirurgias e atualmente é acompanhado por 15 especialistas, um processo caro e desgastante para a família. A mãe, Denise Dias, não consegue trabalhar devido à dedicação integral a Elias. Newton dá aulas de matemática. A filha mais velha do casal tem 11 anos e mora com a avó.

- A médica chegou a falar que ele poderia não enxergar, não ouvir, não falar, poderia nem sequer vingar. Falou que ele iria vegetar. É uma doença bem complexa porque também atinge a parte neurológica, a parte motora. São 15 especialistas que acompanham o Elias. É bem complicado, mas ele é um guerreiro. Consegue vencer e enfrentar tudo isso - lembrou a mãe.

O tratamento fora do Brasil é uma alternativa após a família acompanhar a história de outras crianças que passaram por procedimento idêntico e tiveram evolução.

- Eu sonho com uma qualidade de vida para Elias. Independente se ele vai andar ou não, eu quero uma qualidade de vida para ele. Eu quero ouvir ele falar o que ele quer para ele no futuro. Eu tenho esse sonho dele chegar para mim e dizer: mãe, quero no futuro ser tal pessoa, ter tal profissão - disse Denise.

A esperança e o amor pelo filho movem os pais, mas eles sabem que também é um exercício de paciência.

- Eu peço muito a Deus para nos manter com saúde, fortes, para lutar todo dia e nunca perder a esperança. Esperança é o motivo pelo qual a gente acorda toda manhã, que o dia vai ser melhor para Elias. Todo dia eu acredito que aquele dia vai ser produtivo para ele na fisioterapia, que eu vou ter uma notícia boa e essa esperança me alimenta - completou Newton.

Texto e Foto por Klênyo Galvão, Natal via GE RN